No Panamá, pesquisadores discutem gerenciamento de químicos
10/3/2008
No Panamá, pesquisadores discutem gerenciamento de químicos
Durante a I Reunião Regional da América Latina e Caribe sobre Segurança Química, especialistas puderam trocar experiências e conhecimentos técnicos
O Sistema Estratégico para o Gerenciamento de Substâncias Químicas (SAICM), um desdobramento da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável 2002 (Rio+10), realizou de 11 a 18 de fevereiro de 2008, no Panamá, a I Reunião Regional da América Latina e Caribe sobre Segurança Química. O encontro contou com a colaboração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Durante o encontro, representantes de governos, instituições internacionais, organizações não governamentais e das indústrias puderam discutir a atual situação da região, sob o ponto de vista do gerenciamento de substâncias químicas. Iniciativa que visa a assegurar o desenvolvimento sustentável para o planeta, capaz de gerar riqueza e bem estar aos seres humanos e ao meio ambiente.
Walter dos Reis Filho e Fernando Vieira Sobrinho, pesquisadores da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), e representantes do Ministério do Trabalho e Emprego integraram a delegação brasileira presente à Reunião.
Pelas exposições apresentadas nas palestras, oficinas e grupos de trabalho para o gerenciamento de substâncias químicas e para a elaboração de infra-estrutura jurídica na sua gestão racional, a Reunião se consolidou como um importante centro de debates para o setor. Especialistas que trabalham com a gestão de produtos químicos tiveram oportunidade de trocar experiências e conhecimentos técnicos sobre diversas questões.
Para o engenheiro Fernando Vieira Sobrinho, coordenador do Programa de Segurança Química da Fundacentro, “foi também uma oportunidade para divulgação de algumas de nossas ações de cooperação com países da região e ampliar possibilidades futuras nesse sentido”.
Perigos envolvidos
Segundo dados do PNUMA, estima-se que haja entre 70 e 100 mil produtos químicos no mercado, sendo que, a cada ano são criados 1,5 mil novos. Na esteira desse processo, nos próximos 15 anos, a produção global de químicos poderá aumentar 85 por cento.
Entre os benefícios, estão presentes compostos que certamente auxiliariam na agricultura, na indústria, na medicina e até mesmo no comércio. Por outro lado, alguns produtos poderiam ter efeitos adversos para o meio ambiente e a saúde humana. É o caso, por exemplo, dos bifenis policlorados (PCB´s), fluídos utilizados em unidades elétricas e de transmissão. Com o tempo, descobriu-se que estariam ligados às doenças de pele e ao câncer.
Além desse fator, na última década, a produção de substâncias químicas vem sendo deslocada dos países desenvolvidos para os países emergentes como o caso do Brasil.
Em termos econômicos é bom para o país, mas também pode trazer prejuízos, se não houver uma gestão segura de substâncias e resíduos, controle de áreas contaminadas, preocupação com o meio ambiente, saúde e qualificação dos trabalhadores envolvidos.
Mesmo sendo a 8ª economia do mundo em produtos químicos, considerada uma potência, o Brasil constantemente tem de lidar com os riscos no manuseio das substâncias químicas, “na medida em que o mercado estiver exigindo cada vez mais produtos químicos”, é o que afirma o chefe da Divisão de Agentes Químicos da Fundacentro, Walter dos Reis Filho.
“Existe uma fronteira extremamente tênue entre produção e perigos. Então, milhares de produtos químicos são oferecidos todo ano como opções de mercado. Com isso, geramos um passivo muito grande em termos de subprodutos e rejeitos”, afirma Walter.
Próximas ações
Dessa forma, a Reunião da América Latina procurou traçar o caminho para a implementação das ações SAICM, um novo enfoque para o gerenciamento dos produtos químicos, baseado nos danos mínimos à saúde do trabalhador e ao meio ambiente.
Outras reuniões estão previstas voltadas para o gerenciamento de substâncias químicas. Entre elas, o Quick Start Programme do SAICM e a discussão da posição da região para a próxima Conferência Internacional para o Gerenciamento de Substâncias Químicas, previstos para 2009.
Fonte: Fundacentro